Pressão do Departamento de Estado dos EUA sobre países africanos para adotar Starlink gera polêmica
Apressão da Diplomacia dos EUA em Favor da Starlink na África
Uma nova reportagem revelou que o governo dos Estados Unidos está se esforçando para expandir a Starlink, a empresa de internet via satélite de Elon Musk, como parte de uma estratégia para conter a influência tecnológica da China em países em desenvolvimento na África.
Canais diplomáticos entre o Departamento de Estado e embaixadas americanas em Gambia, Djibuti, Camarões e Lesoto mostram que embaixadores têm se reunido com executivos da Starlink e reguladores estrangeiros. O objetivo é acelerar a obtenção de licenças para a empresa, apresentando essa colaboração como um sinal de amizade com os Estados Unidos.
Diplomatas em Gambia e as Pressões Sobre Reguladores
Recentemente, a embaixadora dos EUA em Gambia, Sharon Cromer, se reuniu com Lamin Jabbi, chefe do ministério de comunicações de Gambia. Durante a reunião, ela mencionou investimentos de $25 milhões em um projeto para melhorar a infraestrutura elétrica do país, um ponto que foi interpretado pelos oficiais gambianos como uma ameaça implícita. Hassan Jallow, vice de Jabbi, comentou que a ligação entre os assuntos era clara.
No mês passado, a pressão aumentou quando o Departamento de Estado tentou agendar encontros em Washington, D.C., durante a visita de Jabbi a uma cúpula do Banco Mundial. Jabbi, no entanto, mantendo sua posição, não se mostrou disposto a avançar nas negociações.
Ações Conjuntas e Carta de Apoio a Starlink
Diante da recusa de Jabbi, as ações da Starlink e do governo dos EUA se intensificaram. A companhia cancelou uma reunião agendada com o membro do Departamento de Estado, alegando que “não havia mais necessidade”. Em vez disso, em Gambia, Cromer adotou uma abordagem ainda mais agressiva, reunindo-se com a ministra do comércio do país para impulsionar a operação da Starlink.
No mesmo dia, a embaixadora enviou uma carta ao presidente gambiano solicitando apoio para permitir que a Starlink operasse no país. Em uma correspondência de mais de três páginas, ela expressou suas preocupações e destacou as vantagens que a Starlink traria para a população local, enfatizando que a empresa já havia cumprido as condições impostas pelo antecessor de Jabbi.
Cromer concluiu sua carta pedindo que as aprovações necessárias fossem facilitadas para que a Starlink começasse a operar em Gambia.
Abordagens Diversas em Outras Nações
Os esforços nas outras nações abordadas no relatório mostram semelhanças, mas cada uma lidou com a relação entre a Starlink e o Departamento de Estado de maneira distinta. Em Lesoto, por exemplo, um contrato com a empresa foi acelerado, ofuscando um grande concorrente multinacional, logo após a imposição de tarifas de 50% por parte de Trump. O embaixador dos EUA no país se orgulhou da facilitação desse acordo.
Diplomatas americanos alertaram que é crucial garantir licenças para a Starlink nos próximos 18 meses para que a empresa mantenha uma vantagem competitiva sobre seus rivais estrangeiros. Contudo, ex-diplomatas expressaram preocupações sobre a natureza sem precedentes das ações do Departamento de Estado, classificando-as como “capitalismo de compadrio”.
Essa nova estratégia levanta questões éticas, e diplomatas como Kenneth Fairfax e Kristofer Harrison concordam que, se a mesma abordagem fosse adotada por outro país, estaria sendo considerada corrupção.
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