Defesa antitruste da Meta WhatsApp Instagram revela alegação intrigante
A batalha judicial entre a FTC e a Meta chega ao fim
Após cinco semanas de audiências, a Comissão Federal de Comércio (FTC) apresentou a um juiz federal sua visão de um mundo onde Instagram e WhatsApp prosperariam fora do controle da Meta. Na sexta e última semana do julgamento, a Meta pediu ao juiz James Boasberg que considerasse que esses aplicativos poderiam ter atingido seu potencial máximo sob sua administração.
A Meta encerrou sua defesa na quarta-feira, após apenas quatro dias em tribunal. Muitos dos testemunhos já haviam sido explorados anteriormente pela FTC, permitindo que a empresa preparasse sua defesa de maneira antecipada. Nos últimos dias da audiência, a Meta trouxe Brian Acton, cofundador do WhatsApp, e um executivo da infraestrutura inicial do Instagram para falar sobre como a Meta impulsionou o crescimento desses aplicativos de formas que, segundo eles, seriam improváveis sem a aquisição.
Defesa da Meta e contradições
A defesa da Meta argumenta que, ao invés de se tornarem competidores que limitariam seu poder, Instagram e WhatsApp poderiam ter ficado defasados, tornando-se menos úteis e acessíveis aos consumidores. Os testemunhos de vários representantes da Meta também abordaram a concorrência com o TikTok, que a FTC excluiu do mercado que alega ter sido monopolizado pela Meta.
Apesar da FTC considerar que plataformas como TikTok e YouTube não fazem parte do mesmo mercado de redes sociais pessoais, a Meta defende que essa visão ignora o modo como a competição funciona nesse setor. A empresa argumenta que o que realmente limita seu poder é a incessante disputa pelo tempo e atenção dos usuários, além dos recursos dos criadores de conteúdo e dos investimentos em anúncios.
Desafios e advertências
Especialistas econômicos ajudaram a Meta a afirmar que o crescimento acelerado do TikTok representa uma concorrência significativa. Contudo, Boasberg alertou que a argumentação da Meta sobre lutar pelo tempo e atenção dos usuários “é verdadeira, mas não é o ponto principal”. Para aceitar essa visão, seria necessário considerar que a Meta compete não só com TikTok e YouTube, mas também com atividades como assistir a um filme ou ler um livro, o que não é exigido pela legislação antitruste.
Boasberg também reconheceu que algumas alegações da FTC testam os limites das precedentes antitruste no país, ao considerar a possibilidade de o Facebook e o Instagram já terem alcançado praticamente todos os usuários potenciais nos EUA. Apesar disso, a Meta continua a vê-los como unificadores de interesse e relevância no espaço social.
A evolução da experiência do usuário
A Meta admitiu que alguns usuários ainda buscam conectar-se com amigos e familiares por meio de suas plataformas. Como resposta, a empresa lançou o “OG Facebook”, que permite que os usuários naveguem por um feed apenas com publicações de conexões mútuas, evitando a experiência predominantemente algorítmica que predomina atualmente.
O juiz Boasberg terá a tarefa de decidir se a experiência de interagir com amigos nas redes sociais é significativa o suficiente para constituir um mercado à parte dominado pela Meta. No entanto, ele rejeitou a tentativa da Meta de obter uma decisão antecipada a seu favor, afirmando não estar pronto para emitir um veredicto.
O que está em jogo para a Meta
Caso Boasberg decida a favor da FTC, o governo provavelmente pedirá que o juiz reavalie as aquisições feitas pela Meta ao longo dos anos. A empresa alerta que isso poderia sufocar a inovação que a FTC diz estar tentando promover.
Em uma declaração, um porta-voz da Meta afirmou: “Após seis semanas tentando desfazer aquisições realizadas há mais de uma década, a única coisa que a FTC conseguiu demonstrar foi a natureza dinâmica e hipercompetitiva da indústria tecnológica”. Ele concluiu dizendo que a Meta é uma história de sucesso americana e que a empresa espera continuar inovando e servindo aos usuários que amam seus serviços.
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