Corte de financiamento para Wi-Fi gratuito em escolas gera polêmica
Senado encerra regulamentação de hotspots Wi-Fi em escolas e bibliotecas
O Senado dos Estados Unidos votou para acabar com uma regra da Comissão Federal de Comunicações (FCC), que utilizava recursos federais para cobrir hotspots Wi-Fi acessíveis fora de escolas e bibliotecas.
O programa, criado pela ex-presidente da FCC, Jessica Rosenworcel, destinava parte dos US$ 2,6 bilhões do programa federal E-Rate para permitir que instituições de ensino e bibliotecas oferecessem hotspots Wi-Fi gratuitos a crianças e outros indivíduos que não possuem acesso à internet em casa.
Justificativas políticas para a revogação
Antes da votação, o líder da maioria no Senado, John Thune (R-SD), afirmou que a regra “violava a Lei de Comunicações, que limita claramente o uso dos fundos às salas de aula e bibliotecas.” Essa posição foi um dos argumentos utilizados para rescindir a regulamentação.
Em contrapartida, Rosenworcel tinha uma visão oposta a essa interpretação. Em uma declaração do ano passado, ela destacou que a lei apoia a emprestagem de hotspots, especialmente diante dos desafios de aprendizado remoto exacerbados pela pandemia de covid-19. Ela ressaltou que, embora o E-Rate tenha “tido um sucesso esmagador conectando escolas e bibliotecas”, a modernização era necessária para que essas instituições pudessem fornecer hotspots Wi-Fi e assim suportar o acesso à internet de alta velocidade em áreas rurais e urbanas.
Tendências em políticas de telecomunicações
Sob a liderança de Brendan Carr, a FCC tem se afastado de programas de proteção ao consumidor e adotado uma postura mais restritiva, alinhando-se à administração Trump. Membros do Partido Republicano têm se mobilizado para reduzir subsídios que incrementam o acesso à internet nos EUA, sob a bandeira da redução de gastos. Um estudo recente apontou que o custo anual do programa de Conectividade Acessível da FCC, que chega a US$ 7 a US$ 8 bilhões, gerou uma economia de até US$ 29,5 bilhões, garantindo um acesso mais amplo à internet acessível e serviços de telemedicina.
Impactos sociais da decisão
Após a votação, a comissária da FCC, Anna Gomez, indicada pelo ex-presidente Joe Biden, expressou preocupação com o agravamento das disparidades econômicas. Em sua declaração, Gomez afirmou que “aqueles com acesso à internet estão cada vez mais separados daqueles que não têm, e essa decisão pode ampliar ainda mais essa lacuna.”
A situação evidencia a crescente divisão no acesso à tecnologia e à informação nos Estados Unidos, refletindo desafios urgentes no cenário atual.
Veja em nossa página principal mais dicas e conteúdos imperdíveis!
