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Suno: A Nova Startup de Música com IA e seu Controverso Futuro
A startup de música baseada em inteligência artificial, Suno, está enfrentando um processo judicial movido pelas três maiores gravadoras do setor, além da RIAA e até mesmo de alguns artistas independentes. O motivo? A alegação de que a empresa está treinando seu modelo com material protegido por direitos autorais. Em meio a essa polêmica, a Suno garantiu recentemente um impressionante aporte de 250 milhões de reais, que pode aliviar suas despesas legais.
Uma Visão Ambiciosa do Co-Fundador
O que chamou a atenção na matéria do Wall Street Journal sobre essa rodada de financiamento foi uma declaração de Mikey Shulman, co-fundador e CEO da Suno. Ele afirmou: “Há um futuro muito grande para a música, onde muito mais pessoas estão fazendo isso de forma ativa, e onde isso terá um lugar muito mais valioso na sociedade.” Essa perspectiva levanta perguntas: o que Shulman entende por “realmente ativo”? Como a criação de mais música gerada por IA pode aumentar o valor da música na sociedade?
A Experiência Suno
Suno é mais conhecida por seu recurso “Create”, que permite a geração de faixas inteiras a partir de comandos de texto. Embora tecnicamente impressionante, a experiência gerada pela IA pode deixar a desejar em termos de emoção — muitos a comparam a uma simples apresentação de PowerPoint. Como músico, considero frustrante que solicitar uma faixa com elementos específicos, como “jazz rap com solo de trompete”, seja visto como uma atividade “realmente ativa”.
Diversos artistas e críticos têm se manifestado contra a música gerada por IA, considerando-a uma abominação que desmerece o trabalho humano.
A Nova Plataforma Studio
Embora haja críticas, é possível que Shulman esteja se referindo ao Suno Studio, lançado recentemente e que se assemelha mais a uma estação de trabalho de áudio digital (DAW) convencional. Apesar de suas funções avançadas de transformação de áudio e geração de trilhas, o Suno Studio ainda enfatiza a criação generativa de música. Para acessar essa nova plataforma, no entanto, os usuários precisam investir em um plano Premier, custando 24 reais por mês, muito mais caro que as alternativas disponíveis no mercado.
A Vale da Música em Debate
A afirmação de que ferramentas de IA aumentarão o valor da música é debatida. Como isso pode ser verdade se a criação massiva de música sem habilidade ou esforço diminui seu valor? A ideia de permitir que qualquer um que consiga articular algumas palavras crie uma mísera imitação de arte parece desvalorizar a música como um todo.
Além disso, plataformas de streaming, como Deezer e Spotify, reconhecem a falta de valor na música completamente gerada por IA e estão adotando medidas para limitar sua visibilidade. Nick Canovas, do canal Mic the Snare, destaca que a gravidade do que está acontecendo é que “a música gravada não é mais especial”. Afinal, a economia básica nos ensina que a escassez é um fator essencial na criação de valor.
A Democracia na Criação Musical?
Suno não está democratizando o acesso às ferramentas criativas. Esse acesso já existe, e muita música pode ser criada com baixo custo atualmente. O que a Suno oferece, então, é uma forma de contornar o desenvolvimento de habilidades e o esforço necessário para fazer arte, eliminando completamente o processo criativo.
Enquanto Shulman promete um futuro mais ativo para a música, a realidade atual traz à tona uma reflexão sobre o verdadeiro valor da arte e a importância do esforço humano na sua criação.
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