Estudantes pró-Palestina na lista de perseguição do ICE agora?
Alerta em Columbia: Alunos se Sentem Ameaçados por Organizações de Direita
Por quase dois anos, estudantes da Universidade de Columbia têm alertado sobre a crescente ameaça de organizações sionistas de direita, como o Canary Mission e Betar US. Essas entidades têm como objetivo “expor” alunos considerados antissemitas, na esperança de que sejam prejudicados em oportunidades de trabalho e outros aspectos da vida.
Após os acontecimentos de 7 de outubro, os estudantes que foram alvos desses grupos relatam um aumento significativo no assédio online, que frequentemente transbordou para a vida real. A situação se intensificou ainda mais após a reeleição de Donald Trump, levando a uma utilização destes bancos de dados de doxxing como ferramentas de estado, tornando os manifestantes vulneráveis a ações da imigração.
A Confirmação de um Oficial da ICE
Recentemente, Peter Hatch, diretor assistente da divisão de Investigações de Segurança Nacional da ICE, confirmou em depoimento que a administração Trump está utilizando listas elaboradas por grupos privados para perseguir ativistas. Ele revelou que sua equipe foi instruída a revisar uma lista com mais de 5.000 nomes para avaliar possíveis deportações. Impressionantes 75% dos nomes proviveram do Canary Mission.
Esse clima de tensão em Columbia tornou-se um termômetro para eventos que se espalharam por todo o país. O programa descrito por Hatch representa um exemplo sem precedentes de como o assédio privado pode se transformar em ação governamental direta.
Pular da Internet para a Vida Real
Maryam Alwan, uma estudante palestina que se formou recentemente e participou de ativismo no campus, destacou que não houve nenhuma medida de proteção eficaz até agora. Alwan foi alvo de assédio por parte de indivíduos e organizações, incluindo o Canary Mission. Segundo ela, essa situação provoca um sentimento de medo, especialmente entre os alunos palestinos.
Com a reeleição de Trump, algumas dessas organizações começaram a identificar ativistas não cidadãos para possíveis deportações. Durante seu depoimento, Hatch disse que autoridades do Departamento de Segurança Interna pediram maior agilidade nas pesquisas sobre ativistas estudantis. Essa ação culminou na submissão de 100 a 200 relatórios ao Departamento de Estado.
A Intensificação da Campanha de Doxxing
O Canary Mission, ativo há quase uma década, ganhou força após o ataque do Hamas em 7 de outubro e a subsequente invasão de Gaza. O site, segundo afirmam, documenta pessoas que “promovem o ódio aos EUA, a Israel e aos judeus”, mas Alwan e outros alegam que foram falsas e injustamente acusados de apoiar o terrorismo.
No outono de 2023, um caminhão coberto por telas de LED circulou pelo campus de Columbia, exibindo os nomes e fotos de estudantes rotulados como “Os Principais Antissemitas de Columbia”. O veículo foi financiado por uma organização conservadora e visava intimidar aqueles que expressavam solidariedade à causa palestina.
A Resposta da Universidade e o Contexto de Repressão
Apesar dos apelos de estudantes como Alwan, a administração da universidade se mostrou ineficaz em tomar medidas efetivas. Embora tenha anunciado a formação de um “grupo de recursos contra doxxing”, muitos, incluindo Alwan, sentem que isso não resultou em ações concretas contra os responsáveis pelo assédio.
Com a volta de Trump ao poder, a repressão aos ativistas se intensificou. Em março, Mahmoud Khalil, um estudante palestino da Columbia, foi detido pela ICE. Ele tinha um green card e antecedentes limpos, mas seu arresto foi justificado alegando que sua presença era prejudicial aos interesses da política externa dos EUA.
O Impacto das Ações da ICE e a Reação dos Estudantes
As detenções de estudantes e ativistas, realmente começaram a causar um clima de medo entre os alunos. A estudante J., que pediu para ser identificada apenas pela inicial devido ao medo de represálias, hesitou em participar de protestos por causa do histórico de doxxing. Contudo, após os atentados a Khalil e outros, decidiu se posicionar.
“Foi um momento de reflexão. Percebi que isso é algo maior do que eu”, afirmou J., que foi alvo de doxxing logo após um protesto.
George Wang, advogado da Columbia, observou que a recente onda de detenções é um escalonamento significativo contra os protestos estudantis. Para muitos, a ameaça de deportação é muito mais pesada do que qualquer outro tipo de assédio.
O Lado Sombrio da Liberdade de Expressão
Alwan ressaltou que os mesmos grupos que exigem a deportação de ativistas também estão agora utilizando táticas judiciais contra cidadãos americanos, evidenciando uma campanha de medo que afeta a liberdade de expressão nas universidades.
“A atual onda de processos é baseada em doxxing e assédio que começou há mais de um ano. O Canary Mission atua como uma lista de alvos, sem qualquer responsabilização ou transparência”, concluiu Alwan.
O cenário em Columbia é um reflexo das tensões sociais e políticas que ainda persistem, levantando questões sérias sobre liberdade de expressão, direitos civis e o futuro do ativismo estudantil.
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