Advogados usando ChatGPT: Descubra os segredos dessa escolha
Advogados Enfrentam Problemas com Pesquisa Jurídica Baseada em IA
Nas últimas semanas, surgiram diversas manchetes relatando problemas enfrentados por advogados ao submeterem documentos com pesquisas jurídicas consideradas “fantasiosas, geradas por IA”. Essas situações, que têm se tornado frequentes, ocorrem quando os profissionais recorrem a modelos de linguagem, como o ChatGPT, para apoiar suas pesquisas legais. O resultado? O uso de casos fictícios que, muitas vezes, só é descoberto quando um juiz ou advogado adversário aponta o erro.
Casos Reais e Consequências Financeiras
A situação se agravou a tal ponto que, em algumas ocasiões, advogados tiveram que pagar multas por petições repletas de informações imprecisas geradas por IA. Apesar dos riscos, muitos continuam a utilizar essas ferramentas. O incentivo para esse uso reside principalmente na pressão do tempo e na crescente integração da IA em todas as profissões. Plataformas de pesquisa jurídica, como LexisNexis e Westlaw, agora oferecem recursos de IA, tornando-se assistentes eficientes para advogados sobrecarregados.
Enquanto a maioria não utiliza o ChatGPT diretamente para redigir documentos, respeitados advogados começam a usar modelos de linguagem para pesquisa. Entretanto, muitos desses profissionais, assim como grande parte do público, não compreendem totalmente como esses sistemas funcionam. Um exemplo é um advogado sancionado em 2023 que pensou que o ChatGPT funcionava como um “super buscador”, ao invés de um gerador de frases randomizadas que poderia resultar em informações corretas ou, muitas vezes, nonsenses convincentes.
Uso da IA no Cotidiano Jurídico
Andrew Perlman, decano da Faculdade de Direito da Universidade Suffolk, observa que muitos advogados utilizam ferramentas de IA sem problemas, e os que enfrentam complicações devido a citações falsas são exceções. Perlman destaca que, apesar dos desafios, as ferramentas de IA podem oferecer enormes benefícios na prestação de serviços legais.
Um estudo feito em 2024 revelou que 63% dos advogados já utilizaram IA, com 12% fazendo uso regular. Essa pesquisa mostrou que muitos profissionais usam IA para resumir jurisprudência e pesquisar legislação. Metade dos entrevistados considera que explorar a implementação da IA em suas práticas é uma grande prioridade. Contudo, a preocupação com a precisão das informações geradas persiste.
Casos de Erros em Documentos Jurídicos
Um caso emblemático ocorreu em 2024, quando advogados do jornalista Tim Burke, preso por divulgar imagens não veiculadas da Fox News, apresentaram uma moção para arquivar o caso. O juiz Kathryn Kimball Mizelle, ao revisar a documentação, identificou “significativas distorções e citações falsas” em relação a legislação pertinente. No total, foram encontradas nove “alucinações” no documento.
O processo para corrigir esses erros obrigou os advogados de Burke a apresentar uma nova moção, na qual um deles assumiu total responsabilidade pelos erros. Este advogado utilizou não apenas o recurso de “pesquisa aprofundada” do ChatGPT, mas também a funcionalidade de IA do Westlaw.
A Necessidade de Verificação das Informações
A prevalência de erros gerados por IA tem levantado sérias preocupações na comunidade jurídica. Um exemplo recente envolveu um juiz da Califórnia, que inicialmente se deixou levar por argumentos apresentados em um documento, apenas para descobrir posteriormente que a legislação citada era completamente fictícia.
Perlman salienta que, embora os profissionais estejam cientes dos riscos, o desafio se intensifica em situações de pressão temporal, algo que já era uma realidade antes da chegada das IAs. Muitas vezes, os advogados se vêem na urgência de submeter documentos sem a devida verificação das citações, o que pode ser tão problemático quanto confiar cegamente no que os modelos de linguagem produzem.
O Futuro da IA na Advocacia
Ainda assim, a utilização de IA entre advogados está tão integrada que, em 2024, a American Bar Association emitiu diretrizes sobre o uso de ferramentas de IA. Segundo as orientações, é imperativo que os advogados compreendam o funcionamento das IAs e os riscos de confidencialidade envolvidos. É essencial que os profissionais verifiquem as informações produzidas e ponderem sobre se devem ou não informar seus clientes sobre sua aplicação nas pesquisas.
Perlman acredita que a IA generativa pode revolucionar a profissão jurídica, aguardando um momento em que o uso dessas ferramentas será esperado e os advogados que não as adotarem serão visto como desatualizados. Contrapõe-se a essa visão otimista a opinião de juízes que alertam que, mesmo com os avanços tecnológicos, não é prudente delegar tarefas de pesquisa e redação à IA sem a devida verificação da informação gerada.
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