Divisão do império de tecnologia publicitária do Google: entenda!
Justiça dos EUA Requer Venda de Parte do Império Publicitário do Google
O Departamento de Justiça dos Estados Unidos apresentou um plano na justiça para que o Google se desfaça de sua plataforma de publicidade e do marketplace de anúncios. Essa ação é parte de uma proposta que visa resolver a “campanha de exclusão” do gigante da tecnologia, a qual, segundo um juiz, viola as leis antitruste.
Na última segunda-feira, tanto o DOJ quanto o Google protocolaram pedidos para corrigir a situação da monopólio legalmente declarado que a empresa manteve no setor de publicidade digital. O plano do Departamento sugere que o Google venda duas partes cruciais de seus negócios: o Ad Exchange (AdX) e a plataforma de gerenciamento de anúncios, conhecida anteriormente como DoubleClick for Publishers, agora chamada Google Ad Manager. Enquanto planeja recorrer da decisão original, o Google solicita que a corte exija mudanças pontuais em algumas práticas comerciais, sem a necessidade de se desfazer totalmente da empresa.
Venda do AdX e Outras Propostas do DOJ
A proposta de venda do AdX faz referência a uma decisão judicial de abril, que concluiu que a plataforma dificultou a migração de clientes para concorrentes do mercado publicitário. O DOJ ressaltou que o Google deve vender o AdX “o mais rápido possível”, implementando uma medida temporária para garantir que o marketplace opere de forma integrada com outros sistemas. Além disso, o Departamento sugere que o Google seja impedido de operar um intercâmbio de anúncios por um período de 10 anos.
Outra parte da proposta do DOJ envolve a “desinvestição em fases” do Ad Manager/DFP, em resposta a uma decisão de que o Google forçou os clientes a utilizar um produto que, de outra forma, não escolheriam. O DOJ alegou que isso foi feito ao vincular a utilização do DFP ao AdX, ao mesmo tempo em que impunha políticas que os clientes desaprovavam.
Na primeira fase, o DOJ sugere a criação de uma API pelo Google, permitindo a integração do Ad Manager com outras plataformas publicitárias e facilitando a transferência de dados dos editores. O Departamento também recomenda que o Google libere o código usado nas últimas etapas de leilão de anúncios sob uma licença de código aberto, proibindo a empresa de “hospedar ou recriar” esse código em qualquer um de seus produtos, como DFP, Android e Chrome. A fase final da proposta exigiria que o Google se desfizesse do restante do DFP para uma entidade diferente daquela que adquirir o AdX.
Objeções do Google e a Reação do DOJ
O Google, por sua vez, não concorda com as propostas do DOJ. Em um documento apresentado, a companhia argumentou que não deveria ser obrigada a vender o AdX ou DFP, alegando que adquiriu esses negócios de maneira justa, sem intenções ilegais. A empresa também afirmou que a desinvestição não é um processo simples, implicando a necessidade de desenvolver novas versões do AdX e DFP que operem fora da estrutura da companhia, um processo que, segundo eles, levaria pelo menos cinco anos.
Google enfatiza que, durante esse tempo, a reestruturação poderia prejudicar significativamente os clientes do AdX e DFP, uma vez que os engenheiros que mantêm e aprimoram o sistema seriam redirecionados para criar essas novas versões.
Para atender às preocupações do tribunal, o Google propõe banir algumas práticas comerciais apontadas pelo DOJ. A companhia se compromete a permitir que ofertas em tempo real do AdX sejam acessíveis a servidores de anúncios rivais, além de eliminar políticas que dificultam a partilha dessas ofertas com concorrentes. Google também prometeu não reviver ferramentas que anteriormente lhe davam uma vantagem nas negociações de anúncios, as quais foram descontinuadas em 2019.
A pressão sobre o Google aumenta à medida que o DOJ busca a venda do Chrome em um caso de antitruste separado que já determinou a plataforma de busca do Google como um monopólio. As novas propostas podem levar a uma divisão ainda maior do império da gigante tecnológica.
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