Modernização do comércio eletrônico: a evolução de tradições antigas
Tumar: A Renascer da Tradição em Feltro no Quirguistão
Na capital do Quirguistão, Bishkek, uma artesã de feltro encerrou seu dia com uma oração. Seu desejo era simples: que seus parceiros tivessem saúde, ambição e sucesso nos negócios. Na manhã seguinte, ela e sua cunhada, Chinara Makashova, acordaram para um verdadeiro milagre: uma avalanche de pedidos pela plataforma Shopify.
As duas, junto com sua equipe, deram início ao trabalho. A empresa que construíram do zero estava exportando produtos de feltro, como pantufas, para parceiros de atacado em todo o mundo. Com o apoio da iniciativa de negócios sustentáveis da USAID na Ásia Central, estavam expandindo sua capacidade de produção e desenvolveram sua própria loja online, aperfeiçoando a estrutura de processamento de pagamentos e segurança de dados.
Desafios em Meio a Oportunidades
No entanto, a nova infraestrutura de comércio eletrônico se viu ameaçada quando o financiamento da USAID desapareceu, deixando a Tumar com um rombo de 35 mil dólares. Enquanto em muitas regiões a internet facilitava o estabelecimento de negócios, no país mais isolado do mundo, as sanções e as barreiras cibernéticas tornavam o crescimento um verdadeiro ato de equilíbrio.
O caminho de Tumar é nada convencional, unindo tradições nômades, o legado soviético e o comércio digital para construir um negócio moderno, mesmo quando a infraestrutura local não acompanhava o ritmo. O primeiro desafio foi escalar um processo de 5 mil anos que nunca havia sido automatizado, usando máquinas que foram recuperadas do colapso da União Soviética.
Tradições que Quase se Perderam
Ao longo dos séculos, os nômades quirguizes pastorearam suas ovelhas nas estepes da Eurásia, criando cobertores de feltro, conhecidos como shyrdaks, que aqueciam suas tendas. Apesar de ser um material que resistia ao frio e à chuva, a técnica do feltro manual quase desapareceu sob o jugo da industrialização e do regime soviético. Nos anos 1990, essa tradição cenográfica estava prestes a ser esquecida, até que algumas mulheres em Bishkek ressuscitaram essa prática.
Makashova, Esenbaeva e a tia de Chinara, Roza, se dedicaram a aprender e reviver a técnica de feltro úmido. Em 1998, fundaram o grupo Tumar. Em poucos anos, estabeleceram parcerias de atacado, e programas financiados pela USAID ajudaram a compartilhar o conhecimento com outras mulheres da Ásia Central, revivendo uma antiga indústria.
O Dia a Dia na Fábrica de Feltro
Hoje, a instalação da Tumar em Bishkek é um verdadeiro labirinto de espaços de trabalho iluminados, onde os trabalhadores utilizam máquinas modernas e técnicas tradicionais. O ambiente vibra com a energia dos artesãos que produzem feltros com diligência, preservando os métodos convencionais, mas adaptando-se às exigências do mercado contemporâneo.
Makashova destaca que, embora utilizem tecnologia moderna, a essência do feltro úmido permanece intacta. As máquinas, muitas vezes, são adaptadas ou restauradas do antigo know-how soviético. Para produzirem as pantufas de feltro mais populares, a equipe precisou recuperar equipamentos que estavam abandonados em sucatas.
Do Pasto à Vitrine
Desde a década de 2010, a Tumar expandiu sua atuação, atendendo a um número crescente de parceiros de atacado, enquanto mantinha uma loja física em Bishkek, que atrai turistas e expatriados. O mercado global por materiais sustentáveis começou a se aquecer e, em meio a esse crescimento, um cliente se destacou: Barclay Saul, da Virgínia, que se uniu a um parceiro para lançar a Kyrgies, uma marca que se especializa na venda das pantufas de feltro online.
Entretanto, em 2020, com a pausa no turismo devido à pandemia, a Tumar veía suas vendas caírem, enquanto a Kyrgies experimentava um crescimento considerável. A busca por produtos de qualidade e sustentáveis só aumentava, permitindo que a Tumar dobrasse sua equipe e ampliasse sua produção nos últimos cinco anos.
Mas um sonho ainda não se concretizou: a criação de uma loja online própria. A venda direta através da loja física, embora represente apenas uma fração das receitas, permanece vital para a inovação de produtos. As dificuldades de envio e de sistemas de pagamento, especialmente a ausência do PayPal, complicam as vendas online.
O Futuro da Tumar
Atualmente, a situação é delicada. Apesar de um novo site estar em funcionamento e de um plano de infraestrutura de vendas diretas ter sido elaborado, o financiamento da USAID está em colapso, deixando a Tumar em uma situação vulnerável.
Com esperança, a equipe da Tumar busca aproveitar o programa de e-Residência da Estônia, que pode ajudar a solucionar a questão dos pagamentos globais. No entanto, o hiato financeiro de 35 mil dólares enxerga diversos desafios pela frente.
Na periferia de Bishkek, o novo centro de processamento de lã da Tumar está em formação, onde a equipe espera transformar resíduos de lã em produtos sustentáveis. A busca por qualidade e inovação é constante, e o compromisso de expandir suas parcerias com pequenas fazendas familiares é essencial para a sobrevivência e crescimento da empresa.
“Queremos abrir possibilidades para os artesãos receberem novos pedidos online e manter a qualidade conforme aumentamos a produção”, afirma Esenbaeva. O futuro da Tumar está em suas mãos, e a perseverança é a chave para continuar a tradição do feltro quirguiz viva.
Perguntas Frequentes
O que é a Tumar?
A Tumar é uma empresa no Quirguistão que revive a tradição do feltro, produzindo itens como pantufas.
Como a Tumar usa tecnologia moderna?
A Tumar utiliza máquinas modernas adaptadas de equipamentos soviéticos para produzir feltro.
Quais desafios a Tumar enfrenta?
A Tumar enfrenta a falta de financiamento e dificuldades de envio e pagamento para as vendas online.
Como a Tumar contribui para o comércio sustentável?
A Tumar trabalha com pequenas fazendas familiares e busca transformar resíduos em produtos sustentáveis.
Qual é o futuro da Tumar?
O futuro depende da expansão das parcerias e da inserção em mercados de vendas diretas online.
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